28 septiembre 2007

MARROCOS
Terra árida, cores intensas, cheiros novos, calor, suor,...um mundo à tua volta tão diferente, mágico...

24 septiembre 2007

Que te posso dizer...

Que te posso dizer que não te canse,
…que não te assuste,
Que te posso dizer….
…que me despertes pelas noites
…que me tires do sono
…que me descubras
Que te posso dizer que não conheças…
…que me dês coragem
…com licença…
Que mais te posso dizer
…que a vida me foge…
…que não me segura…
…que eu já não consigo…

08 julio 2007

A nossa realidade

Antes vivíamos espontaneamente, com a sensação de ter todo o tempo do mundo. Amanhã era apenas um prolongamento lógico do dia de hoje. Os sonhos não tinham presa. A vida semelhava-se à linha do horizonte, sem um fim aparente. Tal vez nessa ideia ilusória tenhamos perdido tempo, o necessário para concretizar os nossos sonhos, talvez tivéssemos que ter sido mais calculistas e pragmáticos. Hoje a realidade mudou e cada manhã o espelho lembra-nos o passo dos anos; o inevitável caminho para um fim para o qual não estamos preparados. Agora os sonhos ficam impacientes, o receio de perde-los, por vezes, impõem-se à própria vivência. Gastamos energia e emoções em substituir uns sonhos por outros, tentando convencer à nossa alma de que essa é uma opção igualmente satisfatória. Viver transforma-se num comboio de alta velocidade, em que o que interessa é chegar a horas às paragens mais importantes. Perdemos assim, os recantos inexplorados, os locais imaginários, a aventura de viver um rio de vida.
Mas amanhã é outro dia, e todos sorrimos, não nos conhecemos, apenas partilhamos sorrisos sociais que escondem o nosso sofrimento. Dentro deste jogo social, vamos ficando cada vez mais vazios. As vezes sentimo-nos como simples transportadores de um corpo que assumiu demasiadas responsabilidades sociais. E é um esforço levar esse corpo para mais um dia no local de trabalho, mais uns encontros sociais, mais uma mudança de clima que não estava nas previsões…
Agora estamos presos ao nosso comboio, aos nossos sonhos e aos desejos dos outros.
Mas sorrimos, que ninguém suspeite a nossa angustia de viver.

01 julio 2007

Deixa-me falar contigo

Caminho tentando não encontrar ninguém, espero que ninguém me reconheça. Hoje acordei para ficar na minha solidão, na minha medíocre existência.
Passei o dia a pensar em ti. Até ontem a vida só fazia sentido com a tua presença. Hoje, não estás, foste brutalmente arrancada da minha vida. Não me deste qualquer explicação, apenas um “já não te amo”. A verdade é que eu também não me atrevi a colocar questões, fui covarde….sei, mas não conseguia ouvir-te dizer mais nada. Após uns segundos, em que fiquei petrificado a tua frente, saí da sala como se tivesse presa por chegar a algum lado; disse um:”Ta bem…” e fui-me embora.
Agora arrependo-me, gostava de ter perguntado o porque ou, desde quando? ou, há outra pessoa?....mas fui tão covarde (..afinal tinhas razão, sou um fraco). Preciso de respostas, não aguento estas questões a repetirem-se uma e outra vez na minha cabeça, vou ficar louco!, onde estás? Que fazes? Porquê não estás aqui?...é difícil, isto é muito difícil…dava qualquer coisa por ter-te ao meu lado, pelos teus beijos, as tuas carícias, o teu cuidado comigo…
Sei que as vezes fui injusto, os meus ciúmes fizeram-te chorar em muitas ocasiões. Esse teu choro profundo, de desilusão com a vida, de solidão. Era nesses momentos em que eu sentia o quanto estava a ser estúpido; olhava para ti, para a tua tristeza sentida, genuína, e só me apetecia abraçar-te, beijar-te e pedir-te mil desculpas. Tu amavas-me, sem dúvida, com uma humildade que fazia de ti a mais bela portadora do sentimento amor.
Ontem, cometi um grande erro, eu sei, não devia ter-te batido, mas não consegui controlar-me, foi o álcool, a minha estupidez, …oh! Desculpa, por favor, desculpa…
… aqui estou eu, vagueando pela cidade, a procura de não sei o que ou, talvez, a tua procura. Porque não admiti-lo, ainda que me custe, é verdade…já entrei em todos os locais que costumas frequentar, e até naqueles que nem sei se alguma vez entraste…por favor, atende os meus telefonemas, não podes fazer-me isto, deixa-me falar contigo…

23 diciembre 2006

...confesso...

Confesso que não estava à espera…
Confesso que te ignorei, e até te trai com o meu pensamento…

Confesso que não acreditei nas tuas palavras…estranhas de tão belas…

Confesso que até consegui, por vezes, evitar ver-te…

Confesso que invadias os meus sonhos, enquanto teimava em acordar…

Confesso que estavas em cada poema que nunca chegaste a ler…
Confesso que te deixei entrar…e agora?...

…mergulho na incompetência dos carinhos, na escassez das palavras,

perco-me nos teus medos,
ignoram-me os teus silêncios…
Confesso que de tanto esforço em te negar, já não consigo esquecer-te...

15 diciembre 2006

Solidão

ENTREVISTA DO CHICO BUARQUE, ONDE ELE DEFINIU "SOLIDÃO"

"Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar. Isto é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância!
Solidão é muito mais do que isto...
SOLIDÃO " é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma."

Um dos poemas mais belos que conheço....

Às vezes se te lembras procurava-te
retinha-te esgotava-te e se te não perdia
era só por haver-te já perdido ao encontrar-te
Nada no fundo tinha que dizer-te
e para ver-te verdadeiramente
e na tua visão me comprazer
indispensável era evitar ter-te
Era tudo tão simples quando te esperava
tão disponível como então eu estava
Mas hoje há os papéis há as voltas dar
há gente à minha volta há a gravata
Misturei muitas coisas com a tua imagem
Tu és a mesma mas nem imaginas
como mudou aquele que te esperava
Tu sabes como era se soubesses como é
Numa vida tão curta mudei tanto
que é com certo espanto que no espelho da manhã
distraído diviso a cara que me resta
depois de tudo quanto o tempo me levou
Eu tinha uma cidade tinha o nome de madrid
havia as ruas as pessoas o anonimato
os bares os cinemas os museus
um dia vi-te e desde então madrid
se porventura tem ainda para mim sentido
é ser solidão que te rodeia a ti
Mas o preço que pago por te ter
é ter-te apenas quanto poder ver-te
e ao ver-te saber que vou deixar de ver-te
Sou muito pobre tenho só por mim
no meio destas ruas e do pão e dos jornais
este sol de Janeiro e alguns amigos mais
Mesmo agora te vejo e mesmo ao ver-te não te vejo
pois sei que dentro em pouco deixarei de ver-te
Eu aprendi a ver a minha infância
vim a saber mais tarde a importância desse verbo para os gregos
e penso que se bach hoje nascesse
em vez de ter composto aquele prelúdio e fuga em ré maior
que esta mesma tarde num concerto ouvi
teria concebido aqueles sweet hunters
que esta noite vi no cinema rosales
Vejo-te agora vi-te ontem e anteontem
E penso que se nunca a bem dizer te vejo
se fosse além de ver-te sem remédio te perdia
Mas eu dizia que te via aqui e acolá
e quando te não via dependia
do momento marcado para ver-te
Eu chegava primeiro e tinha de esperar-te
e antes de chegares já lá estavas
naquele preciso sítio combinado
onde sempre chegavas sempre tarde
ainda que antes mesmo de chegares lá estivesses
se ausente mais presente pela expectativa
por isso mais te via do que ao ter-te à minha frente
Mas sabia e sei que um dia não virás
que até duvidarei se tu estiveste onde estiveste
ou até se exististe ou se eu mesmo existi
pois na dúvida tenho a única certeza
Terá mesmo existido o sítio onde estivemos?
Aquela hora certa aquele lugar?
À força de o pensar penso que não
Na melhor das hipóteses estou longe
qualquer de nós terá talvez morrido
No fundo quem nos visse àquela hora
à saída do metro de serrano
sensivelmente em frente daquele bar
poderia pensar que éramos reais
pontos materiais de referência
como as árvores ou os candeeiros
Talvez pensasse que naqueles encontros
em que talvez no fundo procurássemos
o encontro profundo com nós mesmos
haveria entre nós um verdadeiro encontro
como o que apenas temos nos encontros
que vemos entre os outros onde só afinal somos felizes
Isso era por exemplo o que me acontecia
quando há anos nas manhãs de roma
entre os pinheiros ainda indecisos
do meu perdido parque de villa borghese
eu via essa mulher e esse homem
que naqueles encontros pontuais
Decerto não seriam tão felizes como neles eu
pois a felicidade para nós possível
é sempre a que sonhamos que há nos outros
Até que certo dia não sei bem
Ou não passei por lá ou eles não foram
nunca mais foram nunca mais passei por lá
Passamos como tudo sem remédio passa
e um dia decerto mesmo duvidamos
dia não tão distante como nós pensamos
se estivemos ali se madrid existiu
Se portanto chegares tu primeiro porventura
alguma vez daqui a alguns anos
junto de califórnia vinte e um
que não te admires se olhares e me não vires
Estarei longe talvez tenha envelhecido
Terei até talvez mesmo morrido
Não te deixes ficar sequer à minha espera
não telefones não marques o número
ele terá mudado a casa será outra
Nada penses ou faças vai-te embora
tu serás nessa altura jovem como agora
tu serás sempre a mesma fresca jovem pura
que alaga de luz todos os olhos
que exibe o sossego dos antigos templos
e que resiste ao tempo como a pedra
que vê passar os dias um por um
que contempla a sucessão de escuridão e luz
e assiste ao assalto pelo sol
daquele poder que pertencia à lua
que transfigura em luxo o próprio lixo
que tão de leve vive que nem dão por ela
as parcas implacáveis para os outros
que embora tudo mude nunca muda
ou se mudar que se não lembre de morrer
ou que enfim morra mas que não me desiluda
Dizia que ao chegar se olhares e não me vires
nada penses ou faças vai-te embora
eu não te faço falta e não tem sentido
esperares por quem talvez tenha morrido
ou nem sequer talvez tenha existido
Ruy Belo

06 diciembre 2006

O encontro

O encontro

...ela esperava...curiosa, expectante,...
...ele apareceu...desceu do taxi... um sorriso amigo...
Sentaram-se naquela mesa lá fora, na esplanada…uma vista privilegiada da cidade. O encontro ficou marcado pelo sabor daquele vinho, pelo tacto daquele ar, pela luz daquele pôr-do-sol, pelo som daqueles pássaros, e o perfume,...aquela mistura de essências. Dois desconhecidos,... utilizaram as palavras, a vista, o olfato e as experiências passadas para despir a alma.
....a conversa, o olhar, o riso, o sorriso...os silêncios...
...e ele pegou na sua mão, e acariciou-a...e ela deixou-se levar por aquela caricia,...e ele leu-lhe poesia...e ela encantou-se com a cadência da sua voz...
A noite tornou-se uma fonte de magia...e assim...magicamente surgiu o desejo e a vontade de interromper o passar do tempo....com amor, sem amor, com amizade, sem amizade, com ou sem razão,...decidiram nunca ter que lamentar não ter aproveitado… aquele encontro...

31 marzo 2005

iBASTA YA!


Sólo dos palabras, tan sólo tres sílabas, para enfrentarte a un reto, quizás el más difícil, uno de los más duros de tu vida. Dos sencillas palabras de uso cotidiano, pero tan extremamente rotundas que pronunciarlas juntas puede requerir acumular angustia, miedo y coraje durante años. Cuando al fin salen, ya no sólo de tu boca, ni de tu garganta, sino que todo tu ser las empuja fuera de ti, suenan con tanta firmeza que él que las escucha sabe que no hay marcha atrás; alguien se ha decidido a luchar, a defender con uñas y dientes aquello que sabe, le pertenece y harán falta algo más que Dios y ayuda para frenarlo en su decisión…
El que las pronuncia, en ese momento crece, siente la libertad de haber sido él mismo, de haber explotado de rabia, de odio…se ha cumplido su sueño; tanto tiempo esperando un héroe, cuando estaba en su interior, en una jaula que al fin se rompió…
…no lo dudes, elige el momento y grita: ¡BASTA YA!

06 enero 2005

GUERRA

Trueno al nacer,
duro, frío, miedo
al trueno,
al crecer.
Todos corren por el trueno,
…muy niño para entender,
cielo gris, triste, cruel, no sé el porqué,
…otra vez el fuerte trueno,
mamá y yo...¡correr!…
..estoy solo y en el suelo
mi madre: “¡corre, yo me muero!”